Que não é tomado em sentido absoluto...
Maycon Morano


Boleiro, entre aspas!
Gabi Pagliuca
Um Amigo Meu...
Bico da Pena
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18/06/2009 13:06
Baseado em meu amigo, Ari!
Certa vez, quase que em "tom de off", foi nos confessado, ainda em sala de aula, algo sobre os programas jornalísticos na TV. Informação passada, fui conferir nos jornais televisivos (nunca fiquei atento quanto a isso na rádio, mesmo porque dentro deste meio, ao menos no interior, planejamento é algo difícil. Trabalha-se com eventualidades e, principalmente, na correia diária contanto com a sorte). Vejam a estrutura de um telejornal quanto ao tema das matérias (começo, meio e fim):
“Nasceu um urso panda na china”
“As Bolsas de Valores continuam a cair”
“EUA volta a invadir o Oriente Médio”
“Políticos confessam que roubaram, mesmo, o tesouro nacional, mas que nada lhes acontecerá!”
“Corinthians pega Flamengo na noite de hoje”
“É mês de São João e vamos ver como estão as ruas de Caruarú”
“Última informação sobre o nascimento do Panda: são gêmeos, um macho e uma fêmea!”
“Boa noite.”

Lendo Aristóteles, notei no livro um tom de estrutura jornalística:
Assunto frio no começo – “Como são formadas as cidades”;
Assunto quente no meio – “Guerras entre impérios”, “Imperadores que perdem as esposas”, “Povos tornando-se escravos”
Assunto geladíssimo no fim – “Os jovens precisam aprender música”

Do que estávamos falando mesmo? Quem roubou quem?!

Maycon Morano | Deixe sua loucura aqui (0)



26/05/2009 10:35
Vá ler um livro...

Tuuuuuuuuuu... Tuuuuuuu... Tuuuuuu...
-Alô.
- Bom dia, quem fala?
- José da Silva.
- Parabens senhor José, você foi ELEITO como um de nossos maravilhosos políticos. Mas, para que o senhor possa realmente exercer o cargo, deve vir ao "Palácio" para fazer uma entrevista.
- Ok.

-----

- Olá. Bom dia. Eu sou o José.
- Olá sr. José. Sente-se, fique a vontade.
- Obrigado. O sr. teria um cafézinho, POR FAVOR? Um biscoito também não CAIRIA MAL.
- Um momento.
- Srta. povão, pode trazer o "break" para nosso convidade que ACABA DE CHEGAR? - volta-se ao sr. Silva. - Bom sr. José, como eu lhe informei por telefone, tenho que lhe entrevistar para saber se realmente você está apto a ser um de nossos novos governantes.
- Ok.
- O senhor gosta de LER?
- Sim.
- Quais tipos de livros.
- Não tenho preferência.
- ESTAIS A ler algum no momento?
- Sim.
- Qual?
- Política, de Aristóteles.
- "EMPREGADO".

"Mas como estamos analisando o melhor tipo de governo, aquele que fará que a Cidade seja mais feliz (e a felicidade, como já foi dito, não pode existir sem a virtude), é evidente que na cidade mais bem governada e que possui homens absolutamente justos [...]. [...] já que o ócio é necessário, tanto ao desenvolvimento da virtude quanto à prática dos deveres POLÍTICOS."
Assinado, meu amigo, Ari...
Maycon Morano | Deixe sua loucura aqui (0)



19/05/2009 15:19
O mal está na origem...
Ô se está! Em qualquer caso, em qualquer conflito - ou a falta dele - tudo está na origem, no começo. Esses dias a mãe de um aluno comentou comigo: "logo que ele começou errado já devia ter parado. Tudo que começa errado, termina errado". Ainda bem que estou tentando convencê-la do contrário. Mudaremos isso. Mas normalmente é a regra. Vide nós!
Isso mesmo. Vide nós. Brasileiros. Começou errado. Colonização de portugueses. Porque não os ingleses? Muito bonito isso de muitas raças. Mas o problema disso é a falta da personalidade. É. Da personalidade do povo. Vejam o resto do mundo. Com uma mesma personalidade. Não precisam de uma Copa do Mundo para se unirem. Bá!
É! o mal está na origem mesmo; cito meu amigo Ari para comprovar isso mais um pouquinho:

"As revoluções, por conseguinte, não são feitas com objetivos insignificantes, embora, às vezes, tenham um início insignificante. Há sempre grandes interesses nas revoluções, e os interesses menores assumem grande peso quando envolvem governantes... O mal está na origem - conforme diz o provérbio, um bom começo já é a metade do todo."

Não sei porque disse isso. Deve ser apenas para relembrar que o mundo é mundo desde que o mundo é mundo...
E provavelmente não vai mudar. Abracem a causa...
Maycon Morano | Deixe sua loucura aqui (2)



24/04/2009 23:27
Será o fim da “index.htm”?!
Segundo a Wikipédia, A enciclopédia livre (auto-denominação), “Twitter é uma rede social e servidor para microblogging que permite que os usuários enviem atualizações pessoais contendo apenas texto em menos de 140 caracteres via SMS, mensageiro instantâneo, e-mail, site oficial ou programa especializado”.

Ele está no ar desde março de 2006, mas no Brasil tornou-se famoso entre os internautas mais assíduos no ano passado e neste ano ocorreu seu “boom”. Fato concretizado pelas várias vezes na qual o usuário fica sem acesso a sua conta por demasiados acessos; quando o twitter “baleia”.

Hoje está na moda seguir seus amigos, pessoas famosas, empresas e também sites de notícias. Ganha quem “postar” mais. Na verdade ganha audiência no link que os twitters sugerem. A maioria das pessoas falam sobre um assunto e dão a dica com o link para ser acessado. Eu mesmo o utilizo, e muito, como fonte de pesquisa e como forma de me manter atualizado. Ou seja, eu recebo apenas as manchetes das notícias, de determinados sites, pré-definidos por mim. Caso eu queira ler a matéria na íntegra, ou a sugestão de um vídeo, ou qualquer outra coisa, eu clico no link.

O fato é de que não preciso mais acessar o site para ver quais as matérias novas e, assim, conseqüentemente, acessá-las caso seja de meu grado. Será então o começo do fim das paginas iniciais dos web sites? Seria como se eliminássemos a capa de uma revista ou de um jornal impresso. Quiçá (sim, eu gosto dessa palavra) o fim dos Web Designers. Ou o início de sua evolução? Quem acessar o site diretamente veria apenas uma lista com as notícias publicadas? Enfim, é uma possibilidade de que o twitter possa ser o início de uma mudança no layout dos sites e na forma como são criados e gerenciados.

Bom, por mim continuam as páginas iniciais. Eu gosto de acessar a página principal e descobrir que meu time é a manchete do momento...

Obs. Pensei no fim de mais uma coisa; mas amanhã eu escrevo...


Maycon Morano | Deixe sua loucura aqui (0)



19/04/2009 21:08
Ainda não terminei, mas....
"[...] a quem deve ficar o supremo poder na Cidade: com as massas? Os ricos? Os bons? Ao melhor dos homens? Ou a um tirano? Qualquer uma dessas alternativas envolve consequências desagradáveis."

O Ari respondeu?
Maycon Morano | Deixe sua loucura aqui (0)



03/04/2009 20:29
Ari. Não de Ali (japonês falando "portuguêis"). Ari de Ari mesmo...
Segundo Aristóteles (caboclinho conhecido na venda do mané-pedro), enquanto falava sobre oligarquia e monarquia, concluiu seu pensamento afirmando que a democracia é justamente o oposto desta última, "quando pobres, e não os donos das riquezas, são os governantes".
Será que eles estava profetizando sobre seu amigo de "dose"?
Ari (como era chamado) escreveu um livro no qual retirei este trecho. O nome: Política. Encaixa-se perfeitamente com nosso maior mandário não é? Aliás, isso se ele tivesse ganho logo após o fim da ditaDURA.
Ah! Não sei se ele profetizou, também, o resultado de uma "democracia verdadeira". Quiçá ela exista; Oxalá exista!
Tenho que terminar de ler o livro...
Maycon Morano | Deixe sua loucura aqui (3)



02/04/2009 09:05
Brrrr! Ainda me acostumo com o frio...
Muitos dizem várias coisas a respeito de muitas coisas. Ou não.
Mas vamos à algumas delas:
- Dizem por aí que curitibano é um povo frio;
- Também dizem que os cachorros dos donos se cumprimentam, mas os mesmos, não!
- Dizem que Curitiba é a "Europa no Brasil";
- Dizem em todo lugar que os europeus não são acolhedores ou simpáticos ou como os latinos americanos;
- Sem contar no que diz respeito aqui e acolá sobre sua aversão a estrangeiros.

Curitibano (ou paranaense, ou sulista em geral - só conheço os daqui) gosta de afirmar que é um povo frio. Que não cumprimenta mesmo. Que não é igual ao resto do país, como por exemplo São Paulo, que "mesmo na correria param pra pedir desculpa por que esbarraram em você. Como se o conhecesse de longa data", cita uma "nativa" desta terra que cá estou.
Em pouco tempo de convivência com esse povo, o que vi, e vejo, são latinos americanos. Que pedem desculpas por esbarrarem, puxam um assunto em qualquer lugar, enfim, acolhedores. Indivíduos com suas individualidades, mas educados. É claro que tem suas exceções. Mas vá lá! Qualquer lugar tem aquele ranzinza; um realmente europeu.
Por falar em europeu, eu acho que curitibano quer realmente ser um. Desligar-se do calor latino. Mas convenhamos que não tem jeito. O calor humano abaixo da linha do Equador é contagiante...
Enfim, há um mês morando aqui, o que percebo de diferente de meu estado natal, considerado o lado realmente "latino" (isso mesmo, pra cima do sudeste), é o clima... Frio! (também, pra quem morava no sertão paulista...) E por falar nisso, peguei um resfriado...

Maycon Morano | Deixe sua loucura aqui (1)



02/03/2009 08:18
É. É realmente relativo...
Vi, em menos de 24 horas - isso porque eu não costumo "fuçar" em vida alheia -, dois perfis de orkut muito diferentes. Um de um aviador e outro de uma jornalista. Em ambos a descrição de "quem sou eu" era sobre sua nova profissão: a mesma coisa.
Como pode isso? Simples. Toda profissão é igual. Todo mundo se estressa e blá blá blá; o que muda é apenas o registro na carteira de trabalho.
TSC! E eu achando que minha vida era difícil.
Maycon Morano | Deixe sua loucura aqui (0)



05/02/2009 11:58
Cada coisa...
Um individuo entra em conflito armado com a Polícia após ser abordado com um carro roubado - coisa normal. Após o tiroteio, o mesmo morre - óbvio.
Os moradores de onde o Ser viva, revoltam-se e resolvem quebrar tudo. A PM, é claro, entra em ação para intervir. Conflito inevitável. Quebra-quebra. Pessoas feridas, inocentes que têm os bens destruídos.
E a PM é que é a errada ainda por cima!
Em algumas horas prefiro ser retrógrado, truculento, selvagem, "da idade das pedras", ou seja lá o que for... Mas tem gente que só aprende na pancada mesmo! Tem que descer a lenha em vagabundo, bandido e safado!
UFA!
Como é bom desabafar...
Mas é relativo. Tudo depende do ponto de vista...
O meu é este!

Maycon Morano | Deixe sua loucura aqui (0)



06/01/2009 15:42
É. É relativo...
Chove demais e alaga tudo. Ainda bem que não tem desastre natural no Brasil, né?!
E não é em um só lugar apenas.
Resposta dela!...
Maycon Morano | Deixe sua loucura aqui (0)



12/12/2008 08:56
Documentário de rádio resgata história do futebol prudentino

A história do futebol profissional de Presidente Prudente foi recuperada por um grupo de cinco alunos do curso de jornalismo da Faculdade de Comunicação Social “Jornalista Roberto Marinho” (Facopp) da Unoeste. Eles contam a história das seis equipes que existiram na cidade em um radiodocumentário com três volumes de 1 hora e 15 minutos cada. Entre os entrevistados estão os cronistas esportivos Milton Neves e Flávio Araújo.

Futebol prudentino: uma história de paixão e glória é resultado do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) de Thiago Ferri, Bruna Bachega, Maycon Morano, Luis Fernando Tavares e Giuliano de Oliveira, orientado pelo professor Homero Ferreira.

O radiocumentário conta a trajetória da Associação Prudentina de Esportes Atléticos (Apea), Esporte Clube Corintians de Presidente Prudente, Presidente Prudente Esporte Clube (PPEC), Presidente Prudente Futebol Clube (PPFC), Prudentino Futebol Clube e Oeste Paulista Esporte Clube (Opec).

“Como não há na cidade nenhuma bibliografia ou documento organizado com a história desses clubes, suas trajetórias, o trabalho do grupo foi baseado e entrevistas. Foram ouvidas cerca de 30 pessoas e 19 delas estão no radiodocumentário, entre eles os cronistas esportivos Milton Neves e Flávio Araújo, que é natural de Prudente e acompanhou Prudentina e Corintinha”, diz Thiago Ferri, um dos apresentadores e editor do programa.

Para Maycon Morano, repórter e produtor no documentário, o trabalho “é de extrema importância, pois resgata não só a história do futebol da cidade, mas também a cultura de uma sociedade de outras épocas, mostra como a população e o futebol modificaram, evoluíram ao longo do tempo”.

A outra apresentadora do programa, Bruna Bachega, salienta que o rádiodocumentário traz personagens importantes da história do futebol na cidade. “Para começar, procuramos saber quantos times profissionais existiram em Presidente Prudente e obtivemos, junto à Federação Paulista de Futebol, que seis times foram registrados à entidade ao longo da história. Depois, partimos para a etapa de reconstruir a história de cada um deles [clubes]. Para isso, ouvimos personagens ligados a essa história. São ex-jogadores, ex-narradores, torcedores, ex-presidentes, enfim, buscamos contar a história e ilustrar os pontos mais interessantes dela”, cita ela, que também participou da edição da peça.

O grupo conta que uma mesma pergunta foi abordada com todos os entrevistados: por quê nenhum time de futebol profissional consegue se manter em Presidente Prudente? “Essa etapa do programa é chamada de ‘O último dos porquês’ e quem tiver a oportunidade de ouvir o programa vai saber a opinião de cada um deles”, dizem.

Luis Fernando Tavares e Giuliano de Oliveira, responsáveis pela pré-edição e plástica eletrônica do projeto, afirmam que foram coletadas 19 horas e 52 minutos de entrevistas e foram necessárias cerca de 200 horas em estúdio, entre gravação dos apresentadores e edição. “Foi um trabalho árduo, mas vale a pena”, resumo Luis Fernando.

Produção – O Grupo conseguiu 15 patrocinadores para viabilizar a confecção de 500 unidades do documentário, que contém três discos de 1 hora e 15 minutos cada. Desse total, 10 unidades serão destinadas para cada empresa que apoiou o projeto, dois para cada entrevistado, professores, veículos de comunicação, museu da cidade, biblioteca municipal, Museu do Futebol no Estádio Pacaembu e Museu da Federação Paulista de Futebol também receberão a peça. “O restante será distribuído para a população, mas de uma forma aleatória, sem custo”, explica Giuliano.

Na próxima quarta-feira (17), o grupo defende a monografia na banca final, às 19h, no afinteatro B2 do campus II da Unoeste. Além da peça prática que é o radiocdocumentário, há também a parte teórica, que contém 345 páginas.
Maycon Morano | Deixe sua loucura aqui (0)



27/11/2008 13:15
está acabando...
Reta final de TCC.
Limito-me a reproduzir o seguinte texto:

ANÚNCIO FÚNEBRE : OS JORNALISTAS ESTÃO ENTERRANDO O JORNALISMO!


Geneton Moraes Neto


Começa a chover. Não me ocorre outra idéia para me proteger do aguaceiro: paro na banca para comprar um jornal. Em época de “crise econômica”, eis um belo investimento, com retorno imediato: além de me brindar com notícias interessantes, o jornal, quando dobrado e erguido sobre a cabeça, cumpre garbosamente a função de guarda-chuva.


O jornal é de São Paulo.Poderia - perfeitamente - ser do Rio de Janeiro ou de qualquer outro estado brasileiro.Eu disse “notícias interessantes” ? Em nome da verdade,retiro o que disse.


Pelo seguinte: não sou nenhum fanático por informação, não passo quatorze horas por dia conectado, não sou desses jornalistas que, à falta do que fazer na vida, acham que não existe nada sob o sol além do jornalismo. Em suma: considero-me apenas um consumidor mediano de notícias. Ainda assim, eu já sabia de noventa e cinco por cento do que aquele jornal tentava me dizer na primeira página.


O que o jornal me dizia, nos títulos ? Que o São Paulo “abre cinco pontos sobre o Grêmio”. Que novidade! Qualquer criança de dois anos que tivesse passado diante de um aparelho de TV na véspera já sabia. Nem preciso falar da Internet. “Chuvas em Santa Catarina matam 20″. Que novidade! “Obama divulga nomes de cargos-chave”. Que novidade! “EUA podem injetar até US$ 100 bi no Citigroup”. Que novidade!


Não é exagero: eu já tinha recebido todas essas informações na véspera.


Tive a tentação de voltar à banca, para pedir meus dois reais e cinquenta de volta. Mas, não: resolvi dar um crédito de confiança ao jornal. Quem sabe, como guarda-chuva ele teria uma atuação melhor. Teve.


De tudo o que estava nos títulos da primeira página do jornal, só uma informação era “novidade” para mim: “Brasil será o único país do mundo que não eliminou hanseníase”. Conclusão: o jornal estava me oferecendo pouco, muito pouco, pouquíssimo.


Tenho certeza absoluta de que milhares de leitores, quando abrem os jornais de manhã, são invadidos pela mesmíssimo sentimento: em nome de São Gutemberg, para quem estes jornalistas acham que estão escrevendo ? Em que planeta os editores de primeira página vivem ? Por acaso eles pensam que os leitores são marcianos recém-desembarcados no planeta ? Ninguém avisou a esses jornalistas que a TV e os milhões de sites de notícias já divulgaram, desde a véspera, as mesmíssimas informações que eles agora repetem feito papagaios no nobilíssimo espaço da primeira página ?


Os autores dessas obras-primas ( primeiras páginas que não trazem uma única novidade para o leitor médio!) são, com certeza, jornalistas que temem pelo futuro do jornal impresso.
É triste dizer, mas eles estão cobertos de razão: feitos desse jeito, os jornais impressos estão, sim, caminhando celeremente para o mausoléu. Não resistirão.


Os coveiros da imprensa estão trabalhando freneticamente: são aqueles profissionais que aplicam cem por cento de suas energias para conceber produtos burocráticos, óbvios, chatos, soporíferos e repetitivos.


Em suma: os jornalistas estão matando o jornalismo.


Quem já passou quinze segundos numa redação é perfeitamente capaz de identificar os coveiros do jornalismo: são burocratas entediados e pretensiosos que vivem erguendo barreiras para impedir que histórias interessantes cheguem ao conhecimento do público. Ou então queimam neurônios tentando descobrir qual é a maneira menos atraente, mais fria e mais burocrática de transmitir ao público algo que, na essência, pode ser espetacular e surpreendente: a Grande Marcha dos Fatos.


Qualquer criança desdentada sabe que não existe nada tão fácil na profissão quanto “derrubar” uma matéria. Há sempre um idiota de plantão para dizer : “ah, não, o jornal X já deu uma nota sobre esse assunto”; “ah, não, o jornal Y publicou há trinta anos algo parecido” e assim por diante. O resultado desse exercício de trucidamento jornalístico é o que se vê: uma imprensa chata, chata, chata, chata. É raríssimo aparecer um salvador de pátria que pergunte: por que jogar notícias no lixo, oh paspalhos ? Por que é que vocês não procuram uma maneira interessante e original de contar - e oferecer ao publico - uma história ? Haverá sempre uma saída!


A regra vale para jornal impresso, revista, rádio, TV, internet, o escambau.


Mas, não. Contam-se nos dedos da mão de um mutilado de guerra os jornalistas que devotam o melhor de suas energias para fazer um jornalismo vívido e interessante. Já os burocratas e assassinos, numerosíssimos, continuam golpeando o Jornalismo aos poucos. Vão matá-lo, cedo ou tarde, é claro.


Não há organismo que resista à repetição dos botes dos abutres ( um dia, quando estiver prostrado à beira de um pedaço de mar verde da porção nordeste do Brasil, farei - de memória - uma lista dos crimes que já vi serem cometidos, impunemente, nas redações. Se tiver paciência para juntar sujeito e predicado, prometo que farei um post. Almas ingênuas podem acreditar que absurdos não acontecem com frequência nos zoológicos jornalísticos. Mas, em verdade, vos digo: acontecem, diariamente. O pior, o trágico, o cômico, o indefensável é que os assassinos do Jornalismo são gratificados com férias, décimo-terceiro, plano de saúde, aposentadoria, seguro de vida e vale-alimentação. Detalhe: lá no fundo, devem achar que ganham pouco….Quá-quá-quá).


Um detalhe inacreditável: em qualquer roda de conversa numa redação, em qualquer congresso ( zzzzzzzzzzz) de Jornalismo, é possível ouvir que há saídas simplíssimas. Bastaria tomar - por exemplo - providências estritamente “técnicas”: em vez de repetir papagaiamente(*) nos títulos aquilo que a TV e a internet já cansaram de divulgar, por que é que os jornais não destacam na primeira página a informação inédita, o ângulo pouco explorado, o detalhe capaz de prender a atenção do coitado do leitor na banca ? Pode parecer o óbvio dos óbvios, mas nenhum jornal faz. Qualquer lesma semi-alfabetizada sabe, mas nenhum jornal faz. Se fizessem este esforço, os jornais poderiam, quem sabe, atiçar a curiosidade do leitor indefeso que entra numa banca em busca de uma leitura atraente. Coitado. Não encontrará. É mais fácil encontrar um neurônio em atividade no cérebro de Gretchen.


Fiz um teste que poderia ser aplicado a qualquer estagiário de jornalismo: tentar achar, no exemplar que tenho em mãos, informações que rendam títulos menos burocráticos e mais atraentes do que os que o jornal trouxe na primeira página. Em quinze segundos, pude constatar que havia,sim, no texto das matérias, informações mais interessantes do que as que foram destacadas nos títulos óbvios. Um exemplo, entre tantos: a chamada do futebol na primeira página dizia “São Paulo abre 5 pontos sobre o Grêmio”. Por que não algo como “TREINADOR PROÍBE COMEMORAÇÃO ANTECIPADA NO SÃO PAULO” ou “JOGADORES DO SÃO PAULO PROBIDOS DE IR A PROGRAMAS DE TV” ? A matéria sobre as enchentes dizia que, depois do maior temporal dos últimos dez anos, Santa Catarina enfrentava racionamento de água potável - um duplo castigo. E assim por diante. Daria para fazer dez chamadas diferentes. Mas…..o jornal repete na manchete o que a TV já tinha dito.


Quanto ao futebol: com toda certeza, as informações que ficaram escondidas no texto eram mais atraentes do que a mera contagem de pontos que o jornal estampou no título da primeira página! Afinal, cem por cento dos torcedores do São Paulo já sabiam, desde a véspera, que o time disparara na liderança. Não é exagero dizer: cem por cento sabiam. Mas, a não ser os fanáticos por resenhas esportivas, poucos sabiam que o treinador tinha proibido os jogadores de participarem de programas de TV, para evitar comemorações antecipadas. Por que, então, esconder o detalhe mais interessante ? É o que os editores fazem: tratam de sepultar a informação mais atraente em algum parágrafo remoto, lá dentro do jornal. Depois, querem que o leitor saia da banca satisfeito por ter pago para ler o que já sabia….


Estão loucos.


Resumo da ópera: os assassinos do Jornalismo, comprovadamente, são os jornalistas. É uma gentalha pretensiosa porque acha que pode decidir, impunemente, o que é que o leitor deve saber. Coitados. O que os abutres fazem, na maior parte do tempo, em todas as redações, sem exceção, é simplesmente tornar chata e burocrática uma profissão que, em tese, tinha tudo para ser vibrante e atraente.


Mas nem tudo há de se perder. Os jornais podem, perfeitamente, ser usados como guarda-chuva. Fiz o teste. O resultado foi bom: cheguei tecnicamente enxuto ao destino.


(*)Papagaiamente: neologismo que acabo de criar, iluminado por uma inspiração animalesca.
Maycon Morano | Deixe sua loucura aqui (0)



24/09/2008 18:19
Tá complicado... hehe


Peço desculpas pela minha ausência, mas estou no último termo de jornalismo. Daqui 3 meses sou bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo. Isso se o TCC não me consumir antes. Quem já passou por isso, sabe da encrenca que é. Principalmente quando a peça pratica é um produto de TV ou de Rádio, como é o meu.
Trabalhando em dois locais ao mesmo tempo, está dificil conseguir um horário que seja pra escrever sem preocupação com o Time Code das entrevistas com nossos personagens ou então do Corte Teórico que teima em não ficar pronto.
Enfim! Voltarei!
Maycon Morano | Deixe sua loucura aqui (0)



09/08/2008 23:53
Sem Título


Uma bola quica no centro do campo de terra batida. A poeira levanta. Sobre, mais ainda, quando dois garotos chegam para disputá-la; seus corpos, magros e suados, se encontram de uma maneira quase que agressiva e violenta; eles dão toda sua garra e vontade para conquistá-la.
O time "sem-camisa" recupera a bola ao centro e parte em direção ao gol adversário. O ponta-esquerda pede a bola e quase que instantâneamente a tem em seus pés; parte em direção a linha-de-fundo do campo e cruza. O tempo pára. Todos, na grande área, defronte ao gol, parecem plainar no ar em busca da bola, como um beija-flor em busca do néctar. Mas apenas um consegue saciar a sede. E, como um tiro, ela vai em direção às três traves e "balança a rede".
Uma explosão de gritos de felicidade ecoa das "arquibancadas" improvisadas do lado direito do campo. É gol! Os jogadores do time "sem-camisa" correm na direção do "gigante" de 1,60m, enquando o arqueiro do time "com-camisa" profere palavrões contra seus companheiros de equipe.
Rojões estouram no céu azulado de domingo. Os jogadores pulam e se abraçam no "corner" do campo. Assim como as dezenas de famílias e amigos presentes.
Em meio ao barulho festivo, um, oco e surdo. Com os olhos vidrados, espelhando o medo e a tristeza, o "gigante" de 12 anos, cai. Outro tiro. Tiros que se repetem como em uma sinfonia anunciando o apocalipse. O povo, apavorado, corre de um lado para o outro, ou jogam-se no chão em busca de abrigo. Procuro proteger-me em baixo de um automóvel.
Em meio a balburdia, vejo novamente a criança que ora foi "gigante". Um inocente, agonizando no chão, voltando ao pó. Ninguém consegue ajudá-lo, pois a chuva torrencial de balas só faz aumentar. Enfim, um último suspiro.
No meio da gritaria consigo compreender o que está acontecendo. Aos poucos vou assimilando as palavras proferidas no meio de alguns "socorros". Outra invasão. Polícia ou bandidos? Agora não me importa mais. O gatilho já foi acionado e nada mais pode ser feito. Minha alma caiu junto com o "gigante".
Maycon Morano | Deixe sua loucura aqui (1)



01/08/2008 10:50
Nada. Tudo. Miséria. Realidade.
Encontrei um local no centro da “Grande Metrópole” que é silencioso. É totalmente desprovido de luxo. Mas é “aconchegante”. Lá em cima é pior: luzes, muito barulho, perigos diversos. Aqui embaixo não. Aqui é seguro, silencioso (tem apenas o leve barulho de água correndo. Sempre) e totalmente seguro (bom, pelo menos eu acho).

Só tem um probleminha aqui. Sou meio solitário (a não ser pelos ratos e baratas; mas não converso com eles. São antipáticos). Às vezes olho pro lado e nada. Completa escuridão. Começo a conversar com minha mente e às vezes com as paredes; é pra não enlouquecer. Eu acho.

No começa o cheiro me incomodava muito. Mas com o passar do tempo, tornou-se parte de mim. É, o odor daqui debaixo não é dos mais agradáveis. Pessoas, digamos “normais”, para me “visitarem”, têm de usar máscara. Pra não falar nas botas de borracha para não se infectarem com nada. Acho que criei um tipo de imunidade contra tudo que é ruim aqui dentro. Menos contra o isolamento.

Um dia, lá do lado de fora, no perigo da “Grande Metrópole”, vi os perigos do mundo retratados na vida animal. Uma pomba na boca de um cachorro. Quase a ser devorada. Mas consegui resgatá-la antes do feito. Mas ela ficou muito ferida e, certamente, se tivesse soltado ela, morreria no mundo selvagem.

Uh! Agora tenho uma companheira. Pra dividir comigo as noites e os dias escuros e solitários. Não mais, porque a tenho junto de mim. E mesmo sem saber ler nem escrever, meu instinto de ser humano falou mais alto e “conquistei”, não sei como, alguns dotes de enfermeiro.

Com o tempo, não sei dizer ao certo quanto, sua asa, a mais prejudicada das partes de seu corpo, foi melhorando. Logo ela estava boa e pronta pra alçar belos vôos novamente!
Mas aqui dentro, nessa escuridão total, ela não tem pra onde voar. Levei pro lado de fora e, surpreendentemente, o céu estava claro nesta grande, cinzenta, suja e fria Metrópole. Foi belo quando ela ganhou os céus e desapareceu na imensidão de concreto a minha frente.

Agora me resta a solidão apenas...

*Inspirei-me em algo que vi no "Profissão Repórter", da Rede Globo, na última terça-feira, 29/07/2008.
Maycon Morano | Deixe sua loucura aqui (1)

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